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Onde o carnaval e a ciência se encontram: kits que detectam metanol em bebidas alcoólicas entram na folia

PautaBlu, Brasil – Em um esforço inovador para garantir a segurança dos foliões e combater um grave problema de saúde pública, kits de detecção de metanol em bebidas alcoólicas destiladas estão sendo distribuídos e utilizados durante as festividades de Carnaval em 2026. A iniciativa, liderada pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), surge após um preocupante aumento de casos e mortes por intoxicação por metanol em 2025.

No ano passado, o Brasil registrou um pico de ocorrências, com 16 óbitos e 62 casos confirmados de intoxicação por metanol até fevereiro deste ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Diante desse cenário alarmante, pesquisadores paraibanos aceleraram o desenvolvimento de uma solução prática e acessível.

O pesquisador David Fernandes, vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), explica que a pesquisa foi intensificada para compactar reações laboratoriais em um suporte sólido, otimizando um teste que fosse sensível, confiável e simples, capaz de identificar rapidamente a adulteração de bebidas.

Foram desenvolvidas três tecnologias pioneiras para a detecção de metanol: um teste colorimétrico, um infravermelho e canudos biodegradáveis. Para o Carnaval, o foco está no teste colorimétrico. “Ele é feito com algumas amostras de bebidas e reagentes em três etapas, cada uma de cinco minutos de reação. Com a ajuda de um aplicativo, a reação vai ser comparada e, dependendo da cor, vai determinar se apresenta metanol ou não”, detalha Fernandes.

A ação de Carnaval conta com a parceria do governo do estado da Paraíba, onde agentes do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) foram treinados para manusear os kits. Cada kit é composto por quatro reagentes, dois recipientes, luvas, saco para descarte e um guia prático de uso, permitindo uma fiscalização eficiente e rápida.

Originalmente concebido para o controle de qualidade de cachaças produzidas na Paraíba, visando superar os custos e a complexidade dos métodos laboratoriais tradicionais, o projeto ganhou uma nova dimensão. A aplicação no Carnaval representa um marco, tirando a pesquisa do ambiente acadêmico para impactar diretamente a vida das pessoas. “É muita felicidade e gratidão, porque a gente percebe que o trabalho saiu do ambiente acadêmico e passou a contribuir para uma solução de um problema real”, conclui David Fernandes, ressaltando o sentimento de realização de toda a equipe.