Epagri avalia cultivares de banana para elaboração de farinha com foco no mercado de produtos funcionais
**Itajaí, SC –** A Epagri, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está desenvolvendo uma pesquisa promissora na Estação Experimental de Itajaí (EEI) para avaliar o potencial de cultivares de banana catarinenses na produção de farinha de banana verde. O estudo, conduzido pelo pesquisador e químico Fabiano Cleber Bertoldi, visa não apenas agregar valor à produção local e melhorar a rentabilidade dos agricultores, mas também oferecer um produto funcional inovador ao consumidor, com foco na saúde intestinal e no controle de doenças como diabetes tipo 2.
A farinha de banana verde é reconhecida por seu alto teor de amido resistente, um composto que age como fibra alimentar e prebiótico no intestino grosso, contribuindo para uma microbiota saudável. Diferente da fruta madura, onde o amido se converte em açúcares simples, a banana verde mantém suas propriedades benéficas, auxiliando no controle da glicose e do colesterol.
A pesquisa, intitulada “Determinação dos teores de amido resistente em farinha de banana verde de genótipos de bananeiras Epagri”, teve início em 2024. Inspirado por um estudo da Embrapa Mandioca e Fruticultura que revelou 60% de amido resistente na cultivar BRS SCS Belluna (lançada pela Epagri em 2016), Bertoldi expandiu a investigação para 11 variedades de banana, incluindo cultivares próprias da Epagri e comerciais das categorias Prata, Cavendish e Belluna.
O processo envolveu a seleção cuidadosa dos genótipos pelo engenheiro-agrônomo Ramon Scherer, seguida pela desidratação da polpa das bananas verdes a 55 graus por 16 horas, moagem e refrigeração para análises. Os resultados preliminares são animadores, indicando que as cultivares da Epagri apresentam altos teores de amido resistente, superando os 50%.
Dentre as variedades estudadas, a SCS451 Prata Catarina tem se destacado pelo seu rendimento superior na produção da farinha, gerando 18,9 kg de farinha para cada 100 kg de fruta, contra 14,8 kg da Belluna. Essa diferença é atribuída ao menor teor de água (65,9%) e maior quantidade de polpa (54,4%) da Catarina.
Os próximos passos da pesquisa incluem a avaliação de farinhas integrais, produzidas com a casca. Embora a inclusão da casca possa reduzir ligeiramente o teor de amido resistente, ela eleva o conteúdo de fibras e diminui os custos de produção ao eliminar a etapa de descascamento. “A expectativa é que a cultivar Catarina se destaque como uma alternativa promissora para a produção de farinha de banana verde integral, uma vez que sua casca mais fina tende a minimizar a redução do teor de amido resistente quando comparada a outras variedades, preservando melhor as características funcionais do produto final”, afirma Fabiano Bertoldi.
A colaboração com a UFSC se estenderá a análises físico-químicas em farinhas para determinar parâmetros industriais e testes de panificação para avaliar a aceitação sensorial e a qualidade dos produtos. O estudo também visa dar uma destinação sustentável a bananas verdes que não atingem os padrões para consumo *in natura*, promovendo o aproveitamento integral da fruta.
Santa Catarina é o quarto maior produtor de banana do Brasil, com uma safra anual de 768.325 toneladas (2024/2025), envolvendo cerca de quatro mil famílias e exportando mais da metade de sua produção, principalmente para países do Mercosul. Essa pesquisa da Epagri representa um avanço significativo para a cadeia produtiva da banana no estado, prometendo impulsionar o mercado de produtos funcionais e beneficiar tanto produtores quanto consumidores.
Fonte: Agência de Notícias da Secretaria de Comunicação do Estado de Santa Catarina (SECOM)
