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Governo firma parceria para produção nacional de tecnologia de ponta para tratamento de câncer

**BLUMENAU, SC** – O governo brasileiro deu um passo crucial para a autonomia no tratamento do câncer, anunciando nesta quinta-feira (26) uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que visa a produção 100% nacional do medicamento oncológico pembrolizumabe. A iniciativa, liderada pelo Ministério da Saúde, permitirá ampliar o acesso a essa imunoterapia de ponta no Sistema Único de Saúde (SUS), atualmente já utilizada no tratamento de melanoma.

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o evento “Diálogo Internacional – Desafios e Oportunidades para a Cooperação em Tecnologias em Saúde”, realizado no Rio de Janeiro. Padilha enfatizou o foco social da medida: “A inovação que nos interessa é aquela que chega às pessoas, principalmente as mais vulneráveis. Aquela que reduz desigualdades, amplia o acesso, melhora o cuidado e salva vidas. Porque, no fim, não estamos falando apenas de tecnologia. Estamos falando de direito à saúde”, declarou.

A PDP estabelece a transferência de tecnologia do pembrolizumabe da parceira privada Merck Sharp & Dohme (MSD) para o laboratório público Instituto Butantan. Este programa, criado para conferir autonomia produtiva ao país na área da saúde por meio do poder de compra do SUS, movimenta cerca de R$ 5 bilhões anualmente, considerando as novas PDPs aprovadas.

Com a assinatura do Termo de Compromisso, a próxima etapa será a formalização do contrato de transferência de tecnologia entre os parceiros, visando a aquisição do produto pelo SUS. A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, detalhou que a parceria se estenderá por dez anos, período em que o Instituto Butantan incorporará a capacidade produtiva. Ela ressaltou que, embora o medicamento já esteja disponível para melanoma, a ampliação do uso para outros tipos de câncer, como mama, pulmão, esôfago e colo do útero, está sob análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O pembrolizumabe age reativando as células de defesa do paciente, fortalecendo a resposta imunológica contra a doença.

**Cuidado com populações vulnerabilizadas**

Paralelamente, o evento marcou o anúncio de uma cooperação para a criação da primeira Encomenda Tecnológica (ETEC) focada no enfrentamento de enfermidades que afetam as populações mais vulneráveis. O Ministério da Saúde e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) assinaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para viabilizar a ETEC, que terá sua chamada divulgada ainda em 2026.

O objetivo da ETEC é desenvolver produtos inovadores, ainda não disponíveis no mercado, para desafios específicos, fortalecendo o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis). A estratégia priorizará doenças negligenciadas, como hanseníase, tuberculose, doença de Chagas, leishmaniose e dengue, que atingem predominantemente populações em situação de maior vulnerabilidade social. A ABDI oferecerá apoio técnico em todas as etapas, enquanto o Ministério da Saúde definirá as diretrizes estratégicas e implementará o instrumento.


Fonte: Agência GOV de Notícias // EBC – Empresa Brasil de Comunicação