Ano Internacional da Mulher Agricultora: Epagri atua para ampliar gestão feminina no meio rural
**Blumenau, SC** – No cenário do Ano Internacional da Mulher Agricultora, instituído pela Organização das Nações Unidas para 2026, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) intensifica suas ações para empoderar e profissionalizar mulheres no campo, visando ampliar sua participação na gestão e liderança rural. A iniciativa busca reverter a invisibilidade histórica e o baixo protagonismo feminino na administração dos negócios agrícolas, apesar de sua marcante presença na força de trabalho.
Um exemplo inspirador é o de Elisiane Soster, de Belmonte, no Extremo Oeste catarinense. Ao lado da mãe, Salete Pasini Soster, Elisiane comanda uma propriedade que produz soja, milho e leite, com 45 vacas em lactação e 70 hectares de lavoura. Ela faz parte de um grupo ainda restrito, representando os 18,7% de mulheres que lideram propriedades rurais no Brasil, um avanço em relação aos 12,7% registrados em 2006, mas que ainda aponta para a necessidade de maior representatividade. Historicamente, mulheres respondem por 45% da força de trabalho agropecuária e são guardiãs de sementes crioulas, mas raramente assumem o comando.
Diante desse panorama, a Epagri tem investido significativamente na capacitação de mulheres. O programa “Flor-E-Ser”, entre 2019 e 2025, formou mais de 1.300 mulheres em gestão, empreendedorismo e liderança, com uma demanda crescente que dobrou nos últimos dois anos. Cianarita Caron Figueiró, coordenadora do Programa Capital Humano e Social da Epagri, relata que muitas participantes descrevem o curso como um divisor de águas, sentindo-se mais integradas ao planejamento e assumindo funções estratégicas e de liderança na comunidade.
Outra frente de atuação é o programa “Ação Jovem Rural e do Mar”, que prepara os jovens para a sucessão familiar. Entre 2021 e 2025, mais de 320 mulheres participaram, e a expectativa é de crescimento do interesse feminino, impulsionado pelas novas ações da Epagri no ensino técnico agrícola.
A Epagri assumiu a gestão compartilhada de cinco Cedups Agrotécnicos em 2025, integrando pesquisa, extensão e ensino. Atualmente, mulheres representam 30% dos alunos, e a diretora de Ensino Agrotécnico, Andréia Meira, planeja a construção de alojamentos femininos para aumentar essa representatividade, dado que os Cedups recebem estudantes de 137 municípios. A confiança na marca Epagri e a parceria com o CIEE e a Cooperativa Aurora, que oferece bolsas de R$ 750,00 para jovens aprendizes, são vistas como estímulos cruciais para a profissionalização feminina no campo.
Elisiane Soster exemplifica o impacto dessas capacitações. Com formação técnica em Agropecuária e participação no “Ação Jovem Rural” em 2016, ela hoje cursa Gestão Financeira, atua como consultora em sucessão rural e é coautora do livro “Rainhas Internacionais do Agro”. Ela destaca a transição da mulher de coadjuvante a gestora, enfrentando e superando o preconceito. “Logo após o falecimento do meu pai, quando eu e minha mãe assumimos integralmente a propriedade, algumas pessoas duvidaram se daríamos conta. Mas transformamos isso em combustível. Hoje mostramos, na prática, que gestão não tem gênero. Tem competência e responsabilidade”, conclui Elisiane, reforçando a mensagem de que o empoderamento feminino no campo é uma realidade em construção.
Fonte: Agência de Notícias da Secretaria de Comunicação do Estado de Santa Catarina (SECOM)
