Cultura reúne 5,9 milhões de trabalhadores e gera R$ 387,9 bilhões na economia, aponta IBGE
O setor cultural brasileiro movimentou R$ 387,9 bilhões em valor adicionado à economia em 2023, equivalente a cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), e emprega 5,9 milhões de pessoas. Os dados foram revelados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) durante a 5ª edição dos Diálogos SNIIC (Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais), promovida pelo Ministério da Cultura (MinC) no último dia 27.
A pesquisa detalha o panorama do setor, abordando desde o peso econômico e o avanço das mídias digitais até o persistente desafio da informalidade. Segundo o IBGE, em 2022, o Brasil contava com 644,1 mil organizações culturais formalmente constituídas, que empregavam 2,6 milhões de pessoas, sendo 1,7 milhão assalariadas. A massa salarial do setor atingiu R$ 102,8 bilhões, com remuneração média mensal de R$ 4.658, um valor superior à média nacional.
“Não é possível formular políticas públicas sem informações confiáveis que sustentem a tomada de decisão. Quanto mais dados, metodologias e indicadores conseguirmos desenvolver, melhor para todos”, afirmou Cláudia Leitão, secretária de Economia Criativa do MinC, ressaltando a importância do evento para a gestão e o aprimoramento das políticas culturais. A subsecretária de Gestão Estratégica do MinC, Letícia Schwarz, complementou que o objetivo é transformar informação em decisões mais qualificadas.
Apesar da alta escolaridade, com 30,1% dos trabalhadores do setor possuindo ensino superior completo (acima da média nacional de 23,4%), a informalidade persiste como um grande desafio. Em 2024, 44,6% dos ocupados na cultura estavam em ocupações informais e 43% trabalhavam por conta própria. “O setor cultural apresenta maior escolaridade e, ainda assim, maior informalidade. Esse é um contraste importante”, apontou Leonardo Athias, coordenador do SIIC do IBGE.
Deryk Vieira Santana, diretor de Políticas para Trabalhadores da Cultura e da Economia Criativa, destacou a fragilidade da proteção social: “Dos cerca de 5,8 milhões de trabalhadores do setor, quase 2 milhões estão na informalidade, e a maioria desses trabalhadores informais é composta por microempreendedores individuais. Isso revela um sistema de proteção social extremamente frágil”. Ele também chamou a atenção para a “feminização da precariedade”, onde ocupações com maior presença feminina frequentemente apresentam maior informalidade.
A pesquisa também apontou mudanças estruturais no setor, com crescimento das atividades ligadas à internet, software e publicidade. No consumo, cerca de 90% da população com mais de 10 anos utilizou a internet, com o celular sendo o principal dispositivo. Assistir a vídeos (88,5%), ouvir música ou podcasts (83,5%) e ler notícias ou livros digitais (68,8%) foram as atividades culturais online mais frequentes.
No que tange ao turismo, 1,7 milhão de viagens foram motivadas por cultura e gastronomia em 2024, enquanto 1,5 milhão tiveram foco em natureza e ecoturismo, evidenciando o potencial, mas também a carência de dados sistemáticos nesse segmento. O Iphan, em parceria com o Observatório da Economia Criativa da Bahia (OBEC), está desenvolvendo uma pesquisa sobre a sustentabilidade econômica do patrimônio para preencher essa lacuna.
O Diálogos SNIIC, que marcou a retomada do ciclo de debates em 2026, é um encontro mensal dedicado à apresentação e discussão de pesquisas sobre o setor cultural, buscando fortalecer o uso de dados na formulação e acompanhamento das políticas públicas.
Fonte: Agência GOV de Notícias // EBC – Empresa Brasil de Comunicação
