Governo se solidariza com árbitra Daiane Muniz, alvo de misoginia após Bragantino x São Paulo
Em um comunicado conjunto divulgado neste domingo (22/02/2026), os Ministérios do Esporte e das Mulheres manifestaram veemente solidariedade à árbitra de futebol Daiane Muniz, que foi alvo de declarações misóginas após a partida entre Red Bull Bragantino e São Paulo pelo Campeonato Paulista. A atitude governamental reforça a posição de repúdio contra a discriminação no esporte.
O episódio ocorreu após a derrota do Red Bull Bragantino para o São Paulo por 2 a 1, que culminou na eliminação do time nas quartas de final. O zagueiro Gustavo Marques proferiu declarações consideradas “absurdas” pelos ministérios, afirmando que a Federação Paulista de Futebol (FPF) não deveria “colocar uma mulher” para apitar um “jogo desse tamanho”.
Em nota, os ministérios classificaram o incidente como um “desrespeito profissional movido a machismo” e enfatizaram que Daiane Muniz é uma árbitra altamente qualificada (FPF/CBF/FIFA), cuja competência jamais seria questionada se fosse um homem. “O respeito às mulheres é inegociável. Mulher deve estar onde ela quiser — no campo, na arbitragem, na gestão, na imprensa ou em qualquer outro espaço. Ser mulher não diminui competência, autoridade ou capacidade”, declararam as pastas.
A repercussão das falas de Marques foi imediata. Segundo o próprio atleta, familiares, incluindo sua esposa e irmã, reagiram duramente, levando-o a se desculpar ainda na zona mista. A direção do Red Bull Bragantino e a FPF também condenaram as declarações, com a Federação anunciando que encaminhará o caso à Justiça Desportiva para “providências cabíveis”, destacando a presença de 36 árbitras em seu quadro e o trabalho para aumentar este número.
Este incidente se soma a uma série de episódios de preconceito no cenário esportivo brasileiro e mundial que motivaram manifestações do Governo Federal. Na mesma semana, os ministérios já haviam repudiado uma homenagem de jogadores do Vasco da Gama (AC) a atletas presos por acusação de estupro coletivo, bem como a estreia do goleiro Bruno Fernandes, condenado por homicídio. Além disso, o Governo do Brasil se manifestou contra o ataque racista dirigido ao atacante Vini Jr., do Real Madrid, pelo argentino Gianluca Prestianni.
Os ministérios reiteram a importância do esporte como espaço de formação e inspiração, não devendo ser utilizado para naturalizar ou relativizar a violência e a discriminação. Em 2025, o Ministério da Igualdade Racial e o Ministério do Esporte firmaram um protocolo de intenções para intensificar o combate ao racismo, com ações de conscientização, formação e monitoramento da discriminação racial no ambiente esportivo.
*Com informações da Agência Gov*
Fonte: Agência GOV de Notícias // EBC – Empresa Brasil de Comunicação
